Pergunta à Ana! Consultório Sentimental

Devido ao elevado número de emails que começaram a surgir no Blog dedicado ao consultório sentimental. Hoje reunimos algumas questões que vão ser respondidas pela Dr.ª Ana Escapadinha, cujo objectivo é a promoção de encontros felizes.

 Uma especialista que já deu provas com anos de experiência dentro e fora do consultório, uma verdadeira “pro” na orientação das pessoas para a fuga quando uma relação está verdadeiramente a dar para o “torto”. A referir, que alteramos os nomes para respeitar a privacidade dos intervenientes.

"Ana, sou uma mulher hétero de 30 e poucos anos e eu acabei de descobrir que o meu marido há seis anos e parceiro há dez me traiu nos últimos cinco anos. Eu estou devastada e tenho tentado lidar com isso! Até onde eu sabia, eu achava que o relacionamento era feliz. Provavelmente o melhor relacionamento, sexual ou não, em que eu já estive. Certamente, que se esse fosse um caso pontual, acho que poderia superar isso - aconselhamento, casamento aberto, algum tipo de solução. Mas o facto de ele mentir para mim há cinco anos e de que o sexo não era seguro (vi o vídeo) me perturba. Se por um lado achava o relacionamento feliz e não quero que isso termine. Por outro ele é o meu melhor amigo, amante e sistema de apoio há dez anos. Mas ando numa espiral de raiva. A minha cabeça diz-me que, mesmo que renegociássemos os termos do nosso casamento, ele me enganaria novamente. Estou a ser seguida por um profissional. O que a Ana acha? Uma vez trapaceiro, sempre trapaceiro? Não espero uma resposta omnisciente!"
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Mulher Enganada
36, Ermesinde
pensar

Ana E, Desde já obrigada pelo seu email. Pela sua descrição, e na primeira parte refere um casamento perfeito será que era mesmo? Analise e pense no antes, quando namoravam os encontros eram felizes.? Além disso, quais foram as razões sentimentais desta evolução de namoro para casamento? Nessa altura existiam sintamos de traição? São aspectos que me ajudariam a fundamentar a minha resposta. De qualquer das formas se esse casamento era “perfeito”, enquanto o seu marido a traia. Decerto e não querendo ser tendenciosa, em vez de considerar que tudo funcionou no seu casamento como uma mentira. Tem que pensar bem, e ver se cada momento amoroso seria apenas parte do longo e muito egoísta golpe do seu marido. Faça um mapa mental, você pode querer ver o que era bom no seu casamento e o que havia de intolerável no seu marido como duas coisas que existiam lado a lado. Então, em vez de dizer a si mesmo: "Este foi um péssimo casamento, e que foi tudo mentira, e eu simplesmente não sabia", diga a si mesmo: "Foi um bom casamento, apesar das trapaças, não era tudo mentira, mas era muito menos perfeito que eu pensava. ” É aí que você precisará chegar se quiser permanecer nesse casamento. Outra questão será o perdão. Se acaso o perdoar será uma decisão definitiva e não com “vingança”. Prepare-se pois este vai ser dos maiores "se" que já enfrentou na sua vida. E, embora não haja estudos que mostrem "uma vez trapaceiro, sempre trapaceiro". Certamente que estudos mostraram que alguém que enganou tem mais probabilidade de enganar novamente. Sinto muito por você estar passando por isso, principalmente agora. Contudo essa decisão com todas os aspectos que estarão presos a essa decisão será sua. Outra questão seria a das crianças, mas como não refere esse especto, não o pude referir.

"O nosso casamento foi cancelado, mas acabamos por nos casarmos de qualquer maneira no civil. Meu marido e eu planeamos fazer a recepção no próximo ano, logo que as coisas se acalmem. Eu quero muito ter a dança de pai e filha e uma possibilidade de usar o meu vestido de noiva. Sempre tive um bom relacionamento com o Miguel e todos os encontros foram felizes , daí darem em casamento. Não estamos a pedir presentes, apenas uma festa para familiares e amigos. Tivemos alguns comentários e gozo por parte de algumas pessoas.. As pessoas estão a comentar que não devíamos fazer. Afirmam que é "falso" e que é “xunga” usar o meu vestido depois de me casar por um ano. Deveríamos ter remarcado o casamento, mas precisávamos nos casar para cuidar da saúde, já que meu marido tem uma doença e perdeu o emprego. Isso é muito doloroso. Não consegui que o meu pai me acompanhasse pela igreja. Eu quero dançar com ele. Estou a ser vaidosa?"
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Casamento Covid
32, Almada
casamento

Ana E, Não vejo mal em usar um vestido de noiva em uma futura recepção para comemorar o seu casamento. Especialmente considerando as circunstâncias que obrigaram a cancelar a sua celebração original. As pessoas que têm o poder dessa decisão são, vocês , o casal. Se têm um relacionamento feliz que vos conduziu ao casamento, a decisão é vossa, quando muito com a opinião de familiares. Como uma festa pode ser falsa? Como uma parte pode ser autêntica, nesse caso? Certamente que nos dias que atravessamos será mais complicado essa celebração. Terá que pensar o que é importante para si e quais são as suas prioridades e talvez ter o cuidado de reduzir na medida do possível a festa. Parece-me que o falatório se referia mais a condições económicas. Certamente que, não pode celebrar o seu casamento fisicamente com muitas pessoas agora porque é um risco para a saúde. Portanto, se planeia celebrar com seus familiares quando for seguro e prático fazê-lo. Não há nada de falso nisso. Espero que a maioria de seus convidados não recue. Ainda que seja comum hoje em dia ter uma pequena cerimónia “oficial” e depois uma grande festa depois. Encare de forma positiva. Espero que eles comemorem com consigo o mais rápido possível. Vista o seu vestido, caminhe pelo corredor com seu pai, dance com seus amigos - divirta-se.

"Mudei-me com um colega de trabalho no ano passado por conveniência. Eu só tinha partilhado casa com outras mulheres antes. Acontece que passamos a maior parte do tempo livre juntos. Por exemplo: a cozinhar, a fazer recados, a sair (agora menos ainda) e a “dar asilo”a amigos para o jantar. Ele já convidou os meus pais várias vezes. Passar tanto tempo com ele fez me perceber que tenho sentimentos sérios por ele. Até já os amigos disseram que parecíamos mais um casal do que colegas de casa. Mas por outro lado a nossa dinâmica é mais o que eu esperaria de um amigo. Eu acho que ele está a atrapalhar os encontros, e a procura de relacionamentos felizes e reais. Não lhe quero contar, porque não acho que ele sinta da mesma maneira, e tenho de morar lá por mais alguns meses, para não querer que as coisas fiquem estranhas. Não acho bem me envolver com um colega de casa. Nunca foi minha intenção sentir-me assim. Ana, preciso de algum conselho sobre como superar isso? A minha única opção é contar-lhe directamente?"
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Desinteressada
21, Lisboa
colegas quarto

Ana E, Obrigada por ter-me enviado o email, é das dúvidas das nossas leitoras que o blog continua! Antes demais devo dizer-lhe que precisa de fazer uma auto-analise e ter a certeza que natureza de relacionamento pretende. Se vai tomar a decisão de só querer a companhia do seu amigo faça o possível por não o magoar. Se tem certeza de que ele não se sente da mesma maneira. Não o use, nem se aproveite da fragilidade dele ter sentimentos por si. Faça uma leitura sincera do seu comportamento e do dele. Certamente a sua melhor opção é manter as coisas o mais leve possível e tente passar os próximos meses serenamente. E depois então, sair da maneira mais pacífica e calma possível. Decerto tem três razões bastante significativas para, pelo menos, continuarem amigos: vocês trabalham juntos, moram juntos. e têm certeza que se sente bem com ele. Dizer a alguém que tem sentimentos sérios por ela não é a única maneira de lidar com o amor não correspondido. Faça esse afastamento progressivo, mas também não “tente passar pelos pingos da chuva sem se molhar”. Isto é, se ele a confrontar seja sincera, uma verdade doí sempre menos que a mentira. Tempo e distância também são excelentes remédios. Mas, no mínimo, seria mais fácil lidar com as reacções dele quando não estiver mais a morar juntos. Apesar de ainda estarem a trabalhar no mesmo local.

"Ana, envio este email para te dizer que Viajei pela metade do mundo e agora sinto-me enganado. Há cerca de dois anos, iniciei um relacionamento com Elisa, que vive num país do outro lado do mundo. Eu imediatamente me apaixonei por ela. Ela chamou minha atenção através de seu perfil na rede social, que a apresentaram como super extrovertida, divertida e aventureira. Ela parecia um tanto mais reservada nas conversa por vídeo. Mas presumi que isso acontecesse porque a conversa por vídeo com alguém que nunca conheceu pessoalmente é de certa forma estranho. Nós apaixonámos-mos e concordamos em nos encontrar. Fui ao país da Elisa antes do confinamento e agora estou em quarentena com ela desde Março. Ana, ela não se parece em nada com aquela miúda que conheci. Ela é tímida, quieta, tensa e geralmente muito ansiosa. Ela está constantemente a tentar analisar tudo e a confrontar-me. Não posso viajar de volta ao meu país porque estou preso aqui devido à quarentena. Por outro lado tenho pouquíssimas economias . Logo não posso me mudar por conta própria e não tenho amigos ou família aqui. A Elisa insiste, que é como se apresenta na rede social, mas isso é claramente falso. Eu acho que ela ainda está apaixonada por mim. Eu daqui a semanas vou embora deste país, mas sei que vou deixar um rasto de destruição."
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O Desiludido
28, Alcobaça
viajei mundo

Ana E, Não perca tempo a discutir com Elisa sobre se ela é ou não a sua personagem nas redes sociais. Porque esse não é o problema. A questão é que está infeliz nesse relacionamento e não quer mais morar com ela. Infelizmente é um problema muito vulgar e isso não é questão de debate. Os relacionamentos relâmpago com poucas bases normalmente assentes nas redes sociais são difíceis de sustentar. Primeiro pense se pode entrar em contacto com amigos e familiares e pedir ajuda para mudar para outro local até poder voltar para casa? Existe um país mais perto de Portugal, para o qual poderia mudar e com segurança até que outras restrições de viagem sejam limitadas? Acredita que poderia continuar a viver com segurança (se não necessariamente feliz) no mesmo apartamento se terminasse com Elisa? Decerto pode entrar em contacto com a embaixada local e pedir ajuda. Se como diz já tem a situação de mudar de casa, e já para Portugal resolvida. Pode ter alguns percalços e muita ajuda para voltar a casa. Porém pense que não precisa da permissão de Elisa para deixar esse relacionamento. Boa sorte.

"Meu marido começou a "aninhar-se" na cama: ele foi demitido durante a pandemia e está numa espiral ascendente na saúde mental e física. Ele está a achar que está com uma leve depressão. Eu quero ajudá-lo a passar por esse momento realmente difícil na vida. No entanto, ele começou a fazer algo que me deixa louca: ele passa muitas tardes deitado na cama , a ver TV. Depois faz um "ninho" do meu lado da cama. O ninho é composto por embalagens e recipientes para alimentos, além de vários itens pequenos (aparelhos, carregadores, recibos). Ele diz que isso faz com que ele se sinta mais confortável. Dito assim parece estranho, o marido geralmente limpa o ninho antes de eu ir para a cama. Mas outras vezes, há migalhas de comida deixadas para trás. Isso me mete nojo. Eu quero entender, desculpar mas ... eu não estou a lidar bem com a ideia! Como posso apoiá-lo, mantendo também o pouco juízo que me resta? Estou a exagerar?"
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Mulher incrédula
44, Pragal
man in bed

Ana E, Quando recebi o seu email fez-me pensar na situação incomum que todos enfrenta-mos. Certamente são tempos que precisamos de preparação psicológica para conseguir superar tantas dificuldades. Contudo devo dizer que, pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença.Tanto em termos de fazer com que sinta que há espaço para si na cama que compartilha. Com isso digo, que se sinta incluída no espaço de casa. Tanto em fazer o seu marido sentir-se um pouco mais à vontade. Por exemplo uma bandeja na cama para que ele possa comer sentado e sem deixar migalhas na cama, uma lata de lixo e uma mesa de cabeceira. Mas o ideal seria tentar ocupá-lo com outras tarefas e oferecer algumas soluções. Passando esta questão prática, nenhum desses ajustes implica um compromisso de ambos para melhorar com o que é possível neste momento, a vossa condição. Estou a falar não só do relacionamento feliz ou não, mas emocional e economicamente. Ele precisa da sua ajuda,paciência e compreensão para conseguir superar no meio de uma pandemia. Além disso devido à situação dele que não esteja disposto a passar os dias à procura de trabalho ou estando a ser produtivo. Tente identificar a situação, poderá ser passageira e existem sempre formas de sair e resolver estas situações. Decerto a procura activa de emprego e a analise de competências seja uma boa solução. Caso todas as tentativas a nível emocional e financeiro não surtam efeito procure ajuda profissional.

pessoas a rir

A Dr.ª Ana Escapadinha  é uma especialista na área do coração e há muitos anos dedicada a responder às perguntas a ela endereçadas. Está preparada para “encarar” qualquer problema emocional, relacionado com namoro e relacionamentos, que envolva sexo e vida a dois. Trata-se de uma nova educação sentimental. Envie as suas dúvidas para serem respondidas e aconselhadas e assim se continuar com estes artigos.

Encontros felizes são possíveis!

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