Pergunta à Ana! Consultório Sentimental Parte 4

Dias de sol, dias lindos cheios de luz. Abro a caixa de emails de questões que vão ser respondidas na parte dedicada ao consultório sentimental. Hoje reunimos mais uma vez algumas questões que vão ser respondidas pela Dr.ª Ana Escapadinha, cujo objectivo é a promoção de encontros felizes.

Uma profissional que já deu provas com largos anos de experiência dentro e fora do consultório. Uma verdadeira “pro” na orientação das pessoas para a fuga quando uma relação está verdadeiramente a dar para o “torto”. A referir, que alteramos os nomes para respeitar a privacidade dos intervenientes.

"Querida Ana, vê se podes-me ajudar por favor. Somos 2 irmãs, e damos-nos muito bem. Só que no secundário a minha irmã mais nova, Lia, de cabeça numa uma igreja conservadora, com promessas de pureza e tudo. Meu irmão "João" e eu nunca fomos assim, muito pelo contrário sempre tivemos encontros felizes e relacionamentos. A bem dizer, ambos acabamos sendo muito pouco religiosos com vidas de namoro não dignas de nota. A Lia continuou muito envolvida em sua igreja e, há três meses, aos 24 anos, casou-se com seu marido igualmente devoto. No fim de semana passado, o meu irmão informou-me que o nosso cunhado (depois de estar bezano) que ele e a Lia não haviam consumado o casamento. Apesar de várias tentativas juntos. Ele não me falou que tipo de dificuldades eles estavam a ter, apenas que também era sua primeira vez e ele se sentia muito perdido. Só que o João estava mais interessado em deixá-lo sóbrio e em casa, para que a conversa não continuasse. Eu me sinto péssima por eles! Estou a tentar descobrir se posso dizer algo há minha irmã : Se lhe dou uma versão ilustrada do “Kamasutra”? Deixo-lhe um um panfleto na bolsa e fujo? Eu ficaria feliz em dar conselhos, mas não tenho ideia por onde começar. Depois porque eu sou demasiado libertina para que ela aprove a minha vida sexual de solteira. Temos um relacionamento fraternal caloroso, mas não muito próximo (pense: tomamos café juntas algumas vezes por mês), por isso não faço ideia por onde começar. O meu irmão também me disse que também estava aberto a conversar com o nosso cunhado, case ele descobrisse o que dizer. "
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Casal celibatario
29, Almeirin
casal celibatário

Ana E, Antes demais obrigada por enviar a sua dúvida! Obrigada pelo email. Devo dizer-lhe que pelo menos entre os dois, você é a especialista aqui nos limites da Lia. De certa forma, se acha que ela teria uma resposta negativa aos conselhos sexuais da sua experiência de vida, provavelmente está correta. Se deseja evitar um constrangimento potencial, isso é totalmente compreensível e você deve agir com cuidado. Mas acho que tem algumas opções. Sugeria-lhe que oferece-se á sua irmã um livro, sobre vida sexual, pois não me parece que eles pesquisem muito na internet sobre o assunto. Acho que poderia dar este livro á sua irmã num um ambiente privado. Pode sugerir como tema de conversa a abstinência que existe atá á data do casamento que acaba por coloca pressão no relacionamento. Porém aborde o tema de forma leve e sem acrescentar muito mais. Principalmente se não sentir muita reciprocidade no avanço da conversa. Logo que ela ganhe mais confiança e ela saiba que é livre para conversar se ela tiver alguma dúvida. Ou então precisar desabafar, e deixe por isso mesmo. Alternativamente ou adicionalmente, o seu irmão poderia incentivar seu cunhado. Poderiam na conversa incentiva- lo a falar com o pastor sobre maneiras de resolver esse problema. Meu pensamento para ambas as sugestões é que a Lia e o marido possam ter mais facilidade em "ouvir" dicas e incentivos sobre a intimidade de fontes cristãs. Isso também muda o fardo da educação para si e o seu irmão. Pode ser o suficiente para eles perceberem que o seu problema é comum em sua comunidade. Decerto não algo que eles precisam resolver por conta própria.

"Ana. Meu marido e eu estávamos casados há três meses quando soube de uma mensagem particularmente triste no Facebock. Descobri que ele se encontrou com outra e dormiu com outra pessoa dois dias antes. Era tão inacreditável que ele pudesse ser capaz disso, que eu li a mensagem como se fosse um pedido de mensagem spam. Ele teve a reacção mais estranha que eu já vi. Em vez de negar, ele confessou que era verdade. Ele explicou ainda que a conheceu no Tinder, que lhe mandava mensagens por dias, que as coisas já tinham acabado. Começou por dizer que não foi um relacionamento que foi um impulso. Que era de mim que gostava e era comigo que queria estar. Ele “pintou as coisas” como algo que ele literalmente não tinha controle, que foi feito num momento de fragilidade. Obviamente, isso soou a problema pesadelo. Não havia sinais de alerta, e ele repetidamente disse que estava tão feliz e apaixonado por mim e também não podia acreditar que isso tivesse acontecido. Sinceramente não sei o que posso fazer. Antes do casamento nunca houve nada que me fizesse desconfiar. Estou muito mal porque agora com a pandemia estamos mais em casa e tenho que lidar com ele e com isto o tempo todo. Já para não falar que quando nos casamos temos as mensalidades fixas dos carros e a renda da casa por pagar."
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Mulher Enganada
36, Alcobaça
casal chateado

Ana E, Muito obrigada pelo seu email. Sinto muito que isso tenha acontecido consigo e com seu casamento. Parece que o facto de ainda terem que se cumprir regras de distanciamento e as pessoas estarem mais em casa em nada facilita o processo. Analisando ponto a ponto decerto que me parece que tem aqui dois caminhos. Ou a leitora aceita que ele a tenha traído e têm uma conversa séria onde definem o que pretendem da relação. Ou por outro lado começam a tomar atitude de divorcio. Pelos anos como psicóloga que tive já acompanhei vários casais e não aconselho a divorciar-se. Decerto que batalharam para que o relacionamento se torna-se um casamento. Tentem pelo menos que o casamento se consiga “concertar”. Para isso esteja atenta aos sintomas. Ele demonstra-se arrependido embora não há garantias que ele não volte a fazê-lo. Por outro lado se não lhe der uma oportunidade vai-se arrepender. Outra situação a ponderar são as dividas e as responsabilidades como casal. Quanto a isso faça uma avaliação á depend~encia económica que há no casal E já agora em que situação se encontra a leitora. Ecomomicamente independente dele? Ou iria precisar dele? Outra questão tem forma de ter ajuda se pretender divorciar-se? São questões que se deve debruçar, além disso que deve “estudar com cuidado”. Relativamente a esse ao divorcio, pense bem. Tomar atitudes radicais e com a “cabeça quente” não resolvem as situações. Tente resolver as situações a bem e para o bem de ambos. Gostaria de acrescentar que não há problema em se se sentir irritado, traído, magoado ou mesmo irritada ou irada. Às vezes, a nossa compreensão intelectual de uma situação não influencia nossa resposta emocional, e seus sentimentos são bons, não importa o que sejam. O seu marido está realmente arrependido? Valorizou a vossa relação depois de ter feito o que fez? Para ter certezas e isso é bem difícil vai precisar de tempo. Porque não tenta se separa por um período de tempo? O que estou a dizer não será romper o casamento mas sim afastar-se se puder, como ainda não tem filhos será mais fácil. Após uns tempos afastados fariam um acordo como seria a partir dali. Seria um marco para corrigir erros. E tirar dúvidas e limar arestas da vossa relação. Se possível seria melhor recorrerem a um terapeuta para melhor avaliar toda a situação. Você está apenas começando a enfrentar o que essa situação significa para você como casal, e não há problema em não entender ainda.

"Ana estou a enviar este email. Meu namorado e eu (ambos com idades entre 20 e 30 anos) agora moramos com a família devido a dificuldades pessoais e financeiras relacionadas ao COVID. O sexo em qualquer uma de nossas casas está fora de questão por vários motivos. Certamente que esta situação já começou a ser um problema. O que nos deixa com as opções de ter que faze-lo num carro ou quarto de hotel. Os hotéis não são uma opção no momento. Decerto que não confiamos que os locais da nossa faixa de preços sejam higienizados adequadamente para o conforto no período da COVID. Alem disso a maioria ainda está fora da nossa faixa de preços para uso regular. Isso nos deixa com sexo no carro. • Estamos a ter cuidado, a seguir o protocolo de ir a lugares isolados e mantê-lo rápido, especialmente quando ainda há luz do dia. É uma cidade grande com muito tráfego, polícia. Sermos apanhados portanto, é sempre muito provável. A minha questão principal é que o sexo em si é quase sempre unilateral. Por causa da localização (leça) e das restrições de tempo. Costumamos ir para o banco de trás, mas nem sempre funciona muito bem. Se estamos nervosos porque o espaço é pouco e acaba por não ser uma relação satisfatória para ambos. Ele adora fazer-me quando conseguimos fazer sexo numa cama de verdade, mas agora atrapalhamos-nos e na incerteza de como isso funciona no carro. Ele adora receber oral mais do que qualquer coisa. Contudo levo um tempo para dar. O espaço é muito apertado e acaba por ser constrangedor. A usar os dedos também é garantia de sucesso mas acaba por ser muito limitador. Existe uma solução para nossa crescente lacuna de orgasmo?"
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Casal do Carro
29, Leça da Palmeira
casal carro

Ana E, • Antes demais obrigada pelo seu email. quando indica que faz sexo em locais públicos tenha algum cuidado. Diz-me que provavelmente não serão apanhados, mas preciso ressaltar que poderá sofrer que existem complicações legais se forem apanhados a fazer sexo no carro. Procure as leis e verifique se não estão perto de nenhuma escola, mesmo que não esteja aberta. Outra situação é exatamente o oposto os perigos de irem para sítios mais isolados que poderão colocar-se em perigo. O ideal seria cada um tentar encontrar soluções viáveis e conscientes. Uma casa de família que não seja habitada, um dia ou da parte da tarde que saibam q não vai estar ninguém em casa. Estas situações são sempre complicadas nomeadamente nos dias de hoje. Vou abordar aqui alguns aspetos a ter em conta. Mais que a pergunta que indica pense na consequência de fazer sexo. Fazer sexo desprotegido implica a possibilidade de uma gravidez indesejada. Quanto a esse aspecto muito cuidado, embora não indique se está a usar algum método contraceptivo use pelo menos preservativo. Decerto que pretende encontros felizes e satisfatórios, quando não pode estar com o seu parceiro mas sente vontade. Pensou em usar um vibrador? Existem de vários tamanhos e pode usar sozinha, no banho, no quarto. Além disso podem fazer a “três” e poderá ser estimulante para os dois caso o seu parceiro tiver “uma mente aberta”. Sendo assim explore as várias possibilidades, além de usar vídeo, mensagens eróticas, fotos etc , tudo depende da confiança e intimidade que tem. Faço-lhe a ressalva que caso avance para troca desse tipo de “material” proteja sempre a sua segurança e privacidade caso o relacionamento se desfaça. Por exemplo, fotos nunca com a face ou tatuagem que a identifique. Relativamente á possibilidade do carro caso seja essa a que terá que optar quando escolherem o local mais conveniente leve o “Kit”. Passo a explicar, uma observação sobre o lubrificante. Como indica que ambos estão nervosos e pouco á vontade nessas situações o lubrificante faz milagres. Além disso pode levar uma toalha e alguns toalhetes húmidos nas aventuras do seu carro para poder usar o lubrificante que quiser sem se preocupar com a limpeza ou voltar para casa pegajosa.

amigas

A Dr.ª Ana Escapadinha  é uma especialista na área do coração e há muitos anos dedicada a responder às perguntas a ela endereçadas. Está preparada para “encarar” qualquer problema emocional, relacionado com namoro e relacionamentos, que envolva sexo e vida a dois. Se tem alguma dúvida que pretenda ver esclarecida, envie emails ou deixe na caixa de comentários. Envie as suas dúvidas para serem respondidas e aconselhadas e assim se continuar com estes artigos.

Encontros felizes são possíveis!

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